35.º ANIVERSÁRIO DO SPN - HOMENAGEM A ÓSCAR LOPES

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São múltiplas e variadas as iniciativas comemorativas que o Sindicato dos Professores do Norte irá promover para assinalar a seu 35.º aniversário.


INICIATIVA CENTRAL

No seu 35.º aniversário, quis o Sindicato dos Professores do Norte (SPN) assinalar o centenário do nascimento do seu Sócio Honorário Óscar Lopes.

Fê-lo editando "As Mãos e o Espírito", lição de sapiência proferida em outubro de 1953 na abertura do ano escolar do Liceu D. Manuel II, hoje Escola Secundária Rodrigues de Freitas), local da reunião onde, a 15 de outubro de 1982, a maioria esmagadora dos professores presentes num anfiteatro a transbordar decidiram realizar nos dias 17 e 18 de novembro desse mesmo ano, a Assembleia Constitruinte do que viria a ser o SPN dos nossos dias.

A apresentação do livro esteve a cargo de Paulo Sucena e Henrique Borges.

 

LIÇÃO DE UM MESTRE

Por Paulo Sucena

 As minhas primeiras palavras são naturalmente para felicitar o SPN, os seus dirigentes, os seus associados e todos os docentes da Região Norte que têm o privilégio de serem representados por um Sindicato, a muitos títulos incomparável, que festeja o 35º aniversário. A segunda palavra é de júbilo por o SPN reeditar uma notável palestra de Óscar Lopes, uma figura ímpar da intelectualidade, da cultura, da cidadania e da praxis política e social de quem disse, num texto de há cerca de 30 anos, “Damos rosto ao Futuro – Somos professores” que era um dos melhores de nós. E hoje reafirmo que o foi, indiscutivelmente, como professor, investigador, linguista, historiador da literatura, ensaísta, crítico literário e cidadão interventor, nas fileiras do PCP a partir da década de 40, pela liberdade e pela democracia, que o levou às prisões da PIDE em 1955.

As Mãos e o Espírito, cujo conteúdo emana de uma “Oração de Sapiência” proferida em 1 de Outubro de 1953, no Liceu D. Manuel II, teve uma primeira impressão em 1958. Em 2007, comemorando os 90 anos do autor, a editora Campo das Letras trouxe a público uma belíssima edição com prefácio de António Borges Coelho e ilustrações de Ângelo de Sousa, Armando Alves, Jorge Pinheiro e José Rodrigues. Se este é um livro belo enquanto objecto é-o também pela magnífica prosa de Óscar Lopes que não exagero se a perfilar ao lado da poesia de “As Mãos e os Frutos”, títulos que semanticamente se tangem, que Eugénio de Andrade ofereceu aos seus leitores em 1948.

Antes de escrever alguma notas cursivas sobre As Mãos e o Espírito, gostaria de assinalar o facto de, ainda nos dias de hoje, este não ser um texto obsoleto, apesar de estarmos no século XXI, vivendo um tempo de rapidíssimas transformações, um tempo em que a tecnologia evolui tão depressa que vemos à varanda dos dias a possibilidade de os humanos criarem entidades dotadas de inteligência, tais têm sido os avanços no conhecimento do corpo e do cérebro humanos.

Tal possibilidade, ao tornar-se realidade, colocar-nos-á perante uma revolução como outra não houve. Aliás, Óscar Lopes já assinala, em 1953 (As Mãos e o Espírito, pág. 30), que “agora até nos parece que a história humana se está a fazer aceleradamente de dia para dia”. Hoje sabemos que essa aceleração é muitíssimo maior. Um decénio basta para nos confrontarmos com inusitadas novidades, porém a palestra de Óscar Lopes não ficou submersa pela poeira do tempo pois continua a ser um estimulante desafio à nossa reflexão.

As Mãos e o Espírito, que o SPN reedita na passagem do centenário do nascimento do autor, é uma narrativa aliciante da história do homem na Terra, que Óscar Lopes nos diz que principia com o diálogo entre as mãos e o cérebro.

Em seguida, houve um momento musical e um jantar-convívio, para associados, comemorativo dos 35.º aniversário do SPN.