Rankings — Comparar resultados, perpetuar desigualdades

30 de outubro de 2026

Voltaram a ser publicados rankings de escolas que, desta vez, incluem exames nacionais do ensino secundário, provas finais do 9.º ano de escolaridade e provas ModA do ensino básico. Mais uma vez, apesar do suposto rigor e da exigência, os rankings traduzem as desigualdades que resultam de exames nacionais que hierarquizam e eliminam alunos, desprezam a aprendizagem saudável e a avaliação contínua, estimulam o individualismo, segregam e estigmatizam escolas, desprestigiam o trabalho dos professores e promovem a competição em detrimento da cooperação.

Tal como a Fenprof já denunciou, estas publicações servem-se da utilização dos resultados das provas e exames para retirar conclusões abusivas, que perseguem objetivos próprios. Isto apesar dos modelos de análise adotados, dos nomes distintos que lhes dão, dos métodos (aparentemente) alternativos, das variáveis interativas e das análises especializadas e de serem elaborados pela comunicação social ou por outras instituições. A intenção não é mais do que reforçar o preconceito ideológico de que o privado é bom e o público é mau e, assim, engordar o negócio da Educação, à custa do Estado.

Para a Federação, o que é necessário é aprofundar o investimento na Escola Pública, ao contrário do corte previsto de mais de 80% na proposta do Orçamento do Estado para 2027, permitindo garantir que se atenuam as desigualdades educativas, em particular as que resultam da condição socioeconómica dos alunos. Recorde-se que os recentes resultados do PISA, frequentemente utilizados como referência para condicionar as opções políticas, não identificam diferenças estatisticamente significativas entre os resultados das escolas públicas e das escolas privadas quando se compara o que é comparável: alunos com o mesmo estatuto económico e cultural.

Apesar desta insistência de comparar o incomparável, a Federação nunca se cansará de saudar todos os professores que, diariamente, continuam a pugnar por uma educação e uma escola de qualidade para todos e pela formação integral dos alunos.


Foto: Magnific