A propósito das declarações do PR

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17 de junho de 2019

Fenprof não pode deixar de exigir, também do Presidente da República, respeito pelos professores, os seus direitos e a sua luta

A Fenprof não quer alimentar polémica acerca das palavras de Marcelo Rebelo de Sousa, Presidente da República Portuguesa, em Portalegre, por altura das comemorações do Dia de Portugal e das Comunidades Portuguesas. Contudo, não pode deixar de sublinhar que:

  • O problema não se limita à declaração do Presidente da República no passado dia 9 de junho. A questão é que essas palavras vêm na sequência de afirmações em que, declaradamente, Marcelo Rebelo de Sousa tomou partido pela posição do governo (de apagar tempo de serviço), quando deveria manter-se imparcial. E fê-lo num momento particularmente importante para o desfecho do debate na Assembleia da República;
  • De facto, em 23 de abril, p.p., em entrevista à RTP, o Presidente da República apoiou a posição do governo, de apenas recuperar 2 anos, 9 meses e 18 dias, e fê-lo em pleno debate parlamentar sobre a matéria; esse apoio surgiu poucos dias depois de todos os grupos parlamentares, com exceção do PS, terem apresentado e debatido diversas apreciações parlamentares destinadas a alterar o decreto-lei do governo, que impedia a recuperação integral, e poucos dias antes de a discussão baixar à comissão parlamentar e subir a sessão plenária para votação final, ou seja, num período em que, do Senhor Presidente da República, se esperava isenção e respeito pelo debate parlamentar em curso, que era importantíssimo para os professores;
  • Relativamente à afirmação feita em 9 de junho (data em que nenhum sindicalista da Fenprof esteve em Portalegre e, portanto, não tirou qualquer selfie com o Senhor Presidente da República), ela foi feita em tom jocoso e diretamente para a comunicação social presente. As palavras proferidas foram estas e não outras “942, só faltam mais 3 números para um número telefónico; antigamente é que eram 6, agora são 9”, a que acrescentou “Podia ser Portugal 9, a Holanda 4 e depois 2 foras de jogo”. Com estas palavras dirigidas aos jornalistas, a que se seguiu o riso dos que acompanhavam Marcelo Rebelo de Sousa, este desrespeitou e desvalorizou a luta dos professores, que, em relação à carreira, tem como símbolo principal o tempo de serviço que cumpriram (9A 4M 2D) e que continua por ser recuperado na totalidade. A comunicação social, incluindo a local, registou isso: https://televisaodosul.pt/marcelo-goza-com-luta-dos-professores-veja-video-exclusivo-da-tds/

Os professores e educadores esperam do Presidente da República uma postura diferente da que assumiu nos dois episódios que atrás se referem; uma postura que seja de inequívoco respeito por aqueles que o Presidente da República já considerou dos melhores do mundo e, também por esse motivo, acrescentamos nós, merecedores de verem reconhecida e refletida na carreira toda a sua vida profissional.