Educação: FENPROF quer demissão da ministra, lista tem "milhares de erros"

Educação: FENPROF quer demissão da ministra, lista tem "milhares de erros"

Lisboa, 01 Out (Lusa) - A Federação Nacional dos Professores (FENPROF) pediu hoje a demissão da ministra da Educação, Maria do Carmo Seabra, acusando-a de incompetência no concurso de colocação de professores e de ainda "não ter dito nada sobre políticas educativas".

O pedido surgiu após uma avaliação do trabalho da nova equipa ministerial feita durante a reunião do Secretariado Nacional da FENPROF, que decorreu hoje de manhã.

Segundo o secretário-geral da FENPROF, Paulo Sucena, "irresponsabilidade e incompetência política" foram os adjectivos utilizados para classificar o desempenho da ministra Carmo Seabra.

Aos jornalistas, Paulo Sucena disse ainda que os erros detectados na lista de colocação de professores publicada terça-feira se cifram já nos milhares.

"Consideramos que depois da análise do trabalho desta equipa ministerial, devido à incompetência e incapacidade para resolver os problemas dos concursos dos professores e sem que nada tivesse sido dito sobre as políticas educativas, este é o momento oportuno para a ministra se demitir", afirmou Paulo Sucena.

Aos jornalistas, o secretário-geral da FENPROF sublinhou ter dado a Carmo Seabra "todo o tempo e benefício", mas que a "incapacidade para resolver os problemas do concurso" obrigam a ministra a pedir a demissão.

"Não precisa de mais tempo para ponderar, este é o momento oportuno", considerou.

Para Paulo Sucena, ao publicitar as listas de colocação de professores dois dias antes do prazo estipulado inicialmente (quinta- feira), depois de sucessivos adiamentos, a ministra deveria cumprir os requisitos de "rigor, justiça e falta de erros".

No entanto, a FENPROF cifra já em "milhares" os erros detectados, dando como exemplos situações de "professores que não constam como colocados ou não colocados que desapareceram, outros que foram ultrapassados por candidatos menos graduados, ou que estão colocados em mais do que uma escola".

"Há uma quantidade muito diversa de erros", apontou, queixando- se ainda da falta de discurso sobre política educativa.

"A ministra ainda não disse nada sobre matéria educativa e não se mostrou interessada em ouvir os parceiros", continuou, lembrando que Portugal tem "índices de sucesso escolar inaceitáveis" e que Carmo Seabra ainda não falou "nas ferramentas para dar o salto qualitativo".

De acordo com Paulo Sucena, houve também "pressões ilegítimas" para que as escolas abrissem durante o período estabelecido pela ministra (entre 16 e 23 de Setembro), mesmo sem condições.

"Na região centro houve telefonemas da directora regional de educação para que os Conselhos Executivos abrissem as escolas independentemente das condições", sustentou, por seu lado, Mário Nogueira, também da FENPROF.

Para ilustrar a inadequação de Carmo Seabra no cargo, Paulo Sucena disse ainda que a ministra "julgava que a FENPROF tinha feito um acordo com o ministro David Justino sobre vinculação de professores contratados" quando isso foi feito com o ministro socialista Augusto Santos Silva e revogado pelo sucessor.

Além disso, "pensava que um professor podia concorrer a 40 grupos disciplinares".

A FENPROF exige que as estruturas do Ministério da Educação resolvam os problemas da colocação dos professores "com urgência".

SCS.

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