Greve Geral com forte expressão nos professores (3/jun)

05 de junho de 2026
As declarações do primeiro-ministro, Luís Montenegro, sobre a Greve Geral revelam uma preocupante arrogância política e um profundo desrespeito pelos trabalhadores que decidiram exercer um direito democrático fundamental para manifestar o seu descontentamento e a sua rejeição perante um Pacote Laboral marcado por um inaceitável retrocesso social e pelo aprofundamento incompreensível da precarização das condições de trabalho.
Desvalorizar a grande adesão à greve, reduzindo-a apenas aos transtornos causados à população, é ignorar deliberadamente a mensagem política e social enviada por milhares de trabalhadores de diferentes setores. A Greve Geral foi mais uma demonstração clara de descontentamento, de resistência e de recusa perante políticas que atacam direitos conquistados ao longo de décadas. Também os educadores, professores e investigadores deram uma forte resposta nesta greve, juntando-se à mobilização nacional contra medidas que atacam os direitos sindicais, desde logo, o próprio direito à greve, agravam a precariedade, desvalorizam as carreiras e fragilizam os serviços públicos e o futuro da investigação e da educação em Portugal. A adesão destes profissionais demonstra que existe uma rejeição ampla e transversal às propostas do governo. Perante a dimensão da contestação social, o primeiro-ministro opta por ignorar a realidade e procurar desesperadamente apoios que lhe permitam avançar com políticas rejeitadas pela esmagadora maioria dos trabalhadores e dos portugueses, em geral. Mas a resposta dos trabalhadores foi clara: há resistência, há indignação e há determinação em defender direitos, salários, carreiras e condições de trabalho dignas.
A Greve Geral não foi um incómodo passageiro. Foi uma afirmação coletiva de luta, de dignidade e da rejeição clara de um caminho que levaria a um retrocesso social que os trabalhadores não aceitam. Parece que o governo não quer ler o sinal inequívoco de rejeição dos trabalhadores ao pacote laboral que a Greve Geral de 3 de junho, novamente, confirmou e em força. Ver-se-á se a Assembleia da República segue o mesmo caminho, porque a Fenprof, assim como os educadores, professores e investigadores não se remeterão ao papel de meros espectadores.
03 de junho de 2026
Professores deram uma forte expressão à Greve Geral (3/jun)
O SPN saúda todos os educadores, professores e investigadores que aderiram à Greve Geral (3/jun), contribuindo para uma expressiva jornada de luta que levou ao encerramento de milhares de estabelecimentos de educação e ensino em todo o país e à forte paralisação do funcionamento de inúmeros serviços públicos. A adesão dos docentes demonstrou o profundo descontentamento existente face às políticas do governo, designadamente o pacote laboral e o processo de revisão do Estatuto da Carreira Docente, que ameaçam desvalorizar a profissão docente e enfraquecer direitos fundamentais dos trabalhadores.
Esta mobilização assume particular relevância num contexto marcado por fortes pressões sobre os trabalhadores, por parte de membros do governo, designadamente pelo primeiro-ministro, e sobre os docentes, por parte de algumas direções de escolas e de agrupamentos. O contexto em que esta greve se realizou fica, ainda, marcado por situações ilegais e inaceitáveis em várias escolas, com tentativas de intimidação e de condicionamento do direito à greve. Apesar disso, os educadores e os professores responderam com coragem, determinação e elevado sentido de unidade.
Quanto às provas ModA, agendadas para este dia, onde se realizaram, ocorreram num clima de forte tensão entre o Ministério da Educação, Ciência e Inovação, as direções escolares e os profissionais da educação, tendo sido denunciadas práticas administrativas abusivas destinadas a minimizar os efeitos da greve e a garantir, a toda a força, que as provas se fizessem. A Federação está a proceder a um levantamento exaustivo dessas situações, irá acompanhá-las e agirá em conformidade, na defesa dos direitos dos docentes.
A expressiva participação nesta Greve Geral confirma que os docentes continuam disponíveis para lutar pela valorização do trabalho, como fator determinante do desenvolvimento social e humano das sociedades, por carreiras dignas, pela valorização da Escola Pública, pela defesa dos serviços públicos e por soluções estruturais que combatam a crescente falta de docentes nas escolas.
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Faculdade de Letras da Universidade do Porto
Largo da Porta Nova até à Arcada, Braga
Praça Dr. Gaspar Moreira, Santa Maria da Feira
02 de junho de 2026
Coro do SPN dá pontapé de saída para a greve geral
Ilustração. Marta Nunes
18 de maio de 2026
Greve Geral, de novo!? Porquê? (3/jun)
O governo vai enviar o pacote laboral para discussão na Assembleia da República. Uma decisão que não altera o essencial — o pacote laboral é um retrocesso! Foi rejeitado pelos trabalhadores e se-lo-á definitivamente, no dia 3 de junho. Com o pacote laboral, o governo quer manter os aspetos negativos da atual legislação laboral e alterá-la para muito pior. Também os educadores, professores e investigadores verão os seus direitos diminuidos. Por isso, assumem o compromisso com a greve geral. A Fenprof, por sua vez, já enviou o pré-aviso de greve.
25 de maio de 2026
Governo e patrões têm procurado justificar a sua posição anti greve geral alegando que a proposta que foi para a Assembleia da República já não tem qualquer relação com a proposta inicial — nada mais falso! O pacote laboral contra os trabalhadores tem mesmo de ser derrotado. Juntam à argumentação a alegada importância de o país necessitar de uma legislação "mais moderna", que flexibilize os processos de contratação coletiva, para facilitar a criação de emprego, reforçar a competitividade e a capacidade financeira das empresas e, num futuro incerto, melhorar salários.
Falácias que encontram a contraprova nas medidas que, efetivamente, pretendem legislar e que têm merecido uma forte oposição dos trabalhadores de todos os setores. Em comunicado, a CGTP-IN explica os motivos da convocação da greve geral, sejam de âmbito geral ou adaptados às realidades específicas (como será para os diversos setores da Administração Pública), que justificam plenamente a necessidade de uma forte adesão à greve. À aprovação do pacote laboral seguir-se-iam adaptações à Lei de Trabalho em Funções Públicas.
Na Educação, merecem destaque alguns dos principais riscos decorrentes das alterações propostas à legislação do trabalho, como:
- a facilitação dos despedimentos;
- a prevalência da satisfação de necessidades permanentes com recurso à contratação a termo;
- a possibilidade de recurso ao outsourcing para satisfazer, transitoriamente, necessidades do sistema educativo;
- o agravamento da desregulação do tempo de trabalho;
- a introdução do banco de horas individual com aumento de até 10 horas semanais, sem aumento da remuneração (até ao limite de 150 horas);
- a limitação do período de amamentação até aos 2 anos de idade da criança;
- no setor privado, ainda maior facilitação da caducidade da contratação coletiva, o que terá também inevitáveis consequências no quadro da negociação coletiva previsto para a administração pública;
- a exclusão dos trabalhadores temporários das regras da contratação coletiva;
- a atribuição ao patrão do direito de escolher a convenção que for, para si, mais favorável, impondo-a aos respetivos trabalhadores;
- o ataque à liberdade sindical;
- a limitação, ou mesmo a extinção, na prática, o direito à greve;
- a drástica fragilização da situação geral dos trabalhadores nas relações laborais, o que não deixará de ter consequências muito negativas na área da administração pública e, em particular da educação e da investigação, com consequências em processos como o da revisão do ECD e outros.
Em síntese, o que o governo quer — mas a luta dos trabalhadores vai impedir — é:
- facilitar os despedimentos, com a tentativa de destruição do princípio da proibição do despedimento sem justa causa, ao permitir a não reintegração de trabalhador despedido ilicitamente;
- eternizar e generalizar a precariedade;
- desregular ainda mais o tempo de trabalho e criar mais entraves à conciliação da vida profissional com a vida pessoal e familiar;
- atacar a contratação coletiva;
- atacar a liberdade sindical, dificultando o acesso aos locais de trabalho, especialmente onde não houver trabalhadores sindicalizados, ou que entendam não o declarar, colocando na esfera de decisão patronal as condições e exercício do direito de reunião e de distribuição e afixação de informação;
- atacar o direito à greve, impondo serviços mínimos obrigatórios, mesmo quando não estejam em causa necessidades sociais impreteríveis, bastando para tal que a entidade se integre em sector de atividade suscetível de prestar atividades desse tipo.









