Mais uma agressão

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PERANTE MAIS UMA  AGRESSÃO

SINDICATO DOS PROFESSORES DO NORTE

EXIGE A TOMADA URGENTE DE MEDIDAS

   A notícia de que, esta semana, mais uma professora foi vítima de agressão, desta vez na Escola EB2,3 do Cerco do Porto confirma o alerta do SPN de que há uma tendência para o agravamento dos problemas de indisciplina e de violência nas escolas.

    Considerando que não deve ser criado um clima de alarmismo em torno deste problema, o SPN afirma, no entanto, que é necessário que a opinião pública tenha conhecimento desta realidade que marca o dia de muitas escolas e o quotidiano profissional de muitos docentes.

    As causas para este fenómeno são múltiplas e têm a ver sobretudo com questões de ordem mais geral, relacionadas com profundas alterações no plano social e familiar, e o alargamento de fenómenos de marginalidade e pobreza na sociedade portuguesa.

    Mas é evidente que o acréscimo deste tipo de situações tem a ver igualmente com o momento que atravessa a profissão docente, que se vê dia a dia desrespeitada e desvalorizada, facto a que não é alheia a política da actual equipa do ME que tem contribuído grandemente para que se tenha vindo a acentuar uma imagem pública negativa dos professores e do trabalho que realizam.

    Por outro lado, com a implementação das aulas de substituição, desde sempre criticadas pelo SPN pelo facto de configurarem uma visão redutora e descaracterizadora da função docente, os professores vêem a sua autoridade profissional cada vez mais posta em causa.

    A assunção de que se está perante um problema que não se pode ignorar coloca em cima da mesa a necessidade de que se tomem medidas urgentes que garantam aos docentes a imprescindível segurança no exercício da sua profissão.

    Essas medidas passam, na sua parte essencial, por respostas políticas, sociais e económicas que atalhem a desigualdade crescente e melhorem as condições da vida dos portugueses. Mas há medidas que passam pela escola  - é necessária maior autonomia para as escolas, por exemplo, poderem desdobrar turmas  para que os professores trabalhem com grupos mais pequenos e possam desenvolver estratégias de resposta a situações de indisciplina; urge a criação de equipas multidisciplinares com técnicos, psicólogos e assistentes sociais que trabalhem de forma articulada para identificar as situações, causas e respostas para os casos de indisciplina e violência.

    O SPN considera que, independentemente da complexidade deste problema, há medidas urgentes que devem ser tomadas e há igualmente urgência em que o ME reveja a sua atitude desvalorizadora e desrespeitadora dos professores e educadores.

    Finalmente, o SPN afirma publicamente a sua solidariedade com a professora agora agredida e com todos os professores que, em muitas escolas, vivem momentos difíceis e desejam apenas exercer condignamente e em segurança a profissão que abraçaram.

    O SPN afirma igualmente que apoiará todas as medidas que venham a ser encetadas pela comunidade educativa da Escola EB2,3 do Cerco do Porto no sentido da exigência de tomada imediata de medidas que ponham cobro à actual situação de insegurança na escola.

Porto, 31 de Março de 2006

                                                                                  A Direcção do SPN