Um retrocesso anunciado na educação
06 de janeiro de 2026
A falta de professores agrava-se de semana para semana e o 2.º período inicia-se com números que revelam uma situação próxima da rutura: mais 42% de horários em falta, mais 55% de horas por lecionar e mais 35% de alunos afetados, face ao período homólogo. Estes dados não são uma surpresa, mas o resultado de opções políticas prolongadas.
Nas últimas duas décadas, milhares de docentes abandonaram o sistema, enquanto outros tantos se aposentam todos os anos, num corpo docente envelhecido e sem renovação adequada. A escassez de professores é estrutural e previsível.
Perante este cenário, a proposta de alteração ao Estatuto da Carreira Docente não valoriza a profissão nem melhora as condições de trabalho. Pelo contrário, descaracteriza a carreira, aprofunda a precariedade e torna a docência ainda menos atrativa.
Em vez de investimento sério na educação pública, insiste-se numa lógica de métricas e comparação, desvalorizando quem tem sustentado a escola. Se este projeto avançar, representará um grave retrocesso, comprometendo a carreira docente e o direito dos alunos a uma escola pública de qualidade.
José Feliciano Costa

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