Seminário em Mirandela: “A Comunidade Aprendente em Supervisão Pedagógica”

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Decorreu no passado dia 14 de janeiro, organizado pela área sindical de Mirandela, o seminário “A Comunidade Aprendente em Supervisão Pedagógica”.

O seminário, que visava refletir sobre a aprendizagem e a natureza e contextos da supervisão pedagógica dos professores, teve como conferencistas as professoras Daniela Gonçalves, da Escola Superior Paula Frassinetti, Maria de Fátima Duarte, do Agrupamento de Escolas António Sérgio, de Vila Nova de Gaia, e o professor Francisco Teixeira, do Agrupamento de Escolas Francisco de Holanda, de Guimarães, e também dirigente do SPN.

Com uma assistência que praticamente enchia o auditório da Escola Superior de Comunicação Administração e Turismo, em Mirandela, o seminário decorreu durante a manhã e, para além das intervenções iniciais dos três conferencistas, mereceu intervenções empenhadas e qualificadas do auditório, problematizando e questionando os pontos de partida colocados.

A sessão decorreu, no essencial, em quatro tempos.

Num primeiro a professora Daniela Gonçalves apresentou a sua perspetiva do que deve ser uma supervisão pedagógica e uma aprendizagem colaborativa, recorrendo não só à sua investigação académica mas também à sua experiência de avaliadora externa das escolas, preconizando o valor da componente supervisiva das aulas assistidas e prevendo que a assistência a aulas passaria a ser, mesmo, uma das componentes do terceiro ciclo de avaliação externa das escolas, a iniciar proximamente. Pondo o ênfase no fator professor como decisivo para o sucesso das aprendizagens, a professora Daniela Gonçalves fez a defesa da sala de aula como núcleo das aprendizagens.

Pelo seu lado, num segundo momento, a professora Maria de Fátima Duarte deu conta da sua experiência de práticas de supervisão com aulas assistidas, comentando as componentes de desenvolvimento do processo em curso.

Num terceiro tempo, o professor Francisco Teixeira, aceitando embora a possibilidade de valoração positiva de aulas assistidas enquanto componente de uma prática supervisiva mais ampla, defendeu que isso só poderia ocorrer num contexto de livre aceitação por parte dos docentes, já que, referiu, as aulas assistidas parecem constituir um modismo visando diminuir a autonomia pedagógica dos professores e uniformizar e controlar as práticas pedagógicas. Pelo contrário da tese de que as salas de aula são o centro dos processos de aprendizagem, o professor Francisco Teixeira referiu que não é possível conceber a sala de aula como um espaço euclidiano com quatro paredes estanques, expendendo a tese de que a sala de aula é a escola inteira e que o efeito escola é mais decisivo que as relações pedagógicas individuais professor-aluno, manifestando-se contra aquilo que chamou a psicologização das relações pedagógicas, afins das relações individualizadas de tipo liberal-competitivo, pondo todo o peso o sucesso e do insucesso dos alunos nas mãos de um único professor e um único aluno.

Por último, o auditório interveio problematizando as questões colocadas. Foi, em suma, uma grande jornada de aprendizagem e debate pedagógico e democrático, que reforçou, mais uma vez, o peso do SPN e da área sindical de Mirandela.