Vagas não recuperadas

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COLOCAÇÃO DOS PROFESSORES COM ERROS GRAVÍSSIMOS

MAIS DE MIL VAGAS "DESAPARECEM" MISTERIOSAMENTE 

IMPÕE-SE REPETIÇÃO DO PROCESSO DE COLOCAÇÕES 
 

   O Ministério da Educação anunciou o processo de colocações, deste ano, como um exemplo. Mais rápido do que em anos anteriores e imaculado. Só que isso não é verdade! Depois de muitos candidatos ao concurso de Educação Especial estarem a recorrer juridicamente do facto de terem sido colocados em 2º lugar, surge agora um problema de enorme dimensão que resulta de uma grosseira ilegalidade cometida: desapareceu do concurso um número indeterminado de vagas, mas superior a mil (1.000), a maior parte das quais dos Quadros de Zona Pedagógica. Só do grupo de recrutamento 110 (1º ciclo do ensino básico) são mais de meio milhar. 

   Este "desaparecimento" de vagas resultou do seguinte processo: tendo saído de um quadro para outro determinado número de docentes, apenas se recuperaram parte dos lugares deixados vagos. Os restantes desapareceram. O problema conhece maior dimensão nos Quadros de Zona Pedagógica e no 1º Ciclo do Ensino Básico, exactamente onde se torna mais difícil identificar o problema, dado o elevado número de docentes em mobilidade. Resultará esta ilegalidade de decisão política?! Será erro da actual empresa de informática?! Terá o problema sido alheio à vontade do ME?! Não se sabe, mas é isso que a FENPROF irá exigir que se apure pela intervenção da Inspecção-Geral de Educação e, se necessário, dos Tribunais Administrativos. Também a Assembleia da República será informada do problema para que intervenha no sentido da sua correcção. 

   Estamos perante uma grosseira ilegalidade cometida pelo Ministério da Educação. Uma ilegalidade que terá de ser reparada, pois muitos milhares de docentes foram prejudicados pelo erro: docentes dos quadros que poderiam ter melhorado a sua situação, aproximando-se da residência familiar; docentes contratados que poderiam ter entrado nos quadros. É impossível dizer quantos são os lesados, mas tratando-se de mais de mil vagas, e tendo em conta o "efeito dominó" do processo de colocações, pode, sem medo de errar, afirmar-se que serão largos milhares. 

   Ao contrário do que, segundo a comunicação social que já começou a aflorar a questão, terá sido afirmado por fontes ministeriais, as tentativas de explicação até agora conhecidas não têm qualquer sentido: as vagas a extinguir devido à mobilidade dos docentes estavam assinaladas como vagas negativas; o regresso de docentes destacados às suas escolas nada tem a ver com o problema, pois as suas vagas não se encontravam a concurso. 

   A elevada gravidade deste processo decorre do facto de se tratar de um concurso público, assente num quadro legal aprovado recentemente (o Decreto-Lei 20/2006), que deve ser absolutamente transparente, mas que é totalmente desrespeitado logo no seu primeiro ano. A solução para o problema criado é apenas uma e a FENPROF exige-a: repetir o processo de colocação de docentes respeitando a legislação em vigor que obriga à recuperação de todas as vagas. Quanto mais rapidamente isso acontecer menos consequências terá para as escolas e os professores. 

   Nas páginas seguintes constam apenas alguns exemplos: 


 

ALGUNS QUADROS EXEMPLIFICATIVOS 

- QUADRO DE ZONA PEDAGÓGICA DO 1º CICLO DO ENSINO BÁSICO

(Grupo de Recrutamento 110) 
 

 
QZP
 
VAGAS
 
SAÍDAS
 
ENTRADAS
 
LUGARES "DESAPARECIDOS"
 
Aveiro
 
-62
 
106
 
41
 
3
Bx Alentejo

E Al. Litoral

 
-8
 
100
 
91
 
1
 
Braga
 
0
 
343
 
310
 
33
 
Bragança
 
-26
 
40
 
12
 
2
 
Coimbra
 
-137
 
179
 
26
 
16
Alentejo Central  
-32
 
74
 
0
 
42
 
Algarve
 
0
 
165
 
142
 
23
 
Leiria
 
-124
 
163
 
38
 
1
Cidade e Z. Norte de Lx  
-97
 
447
 
276
 
74
 
Alto Alentejo
 
-47
 
55
 
5
 
3
 
Porto
 
0
 
426
 
333
 
93
Lezíria e Médio Tejo  
0
 
137
 
129
 
8
Península de Setúbal  
-285
 
289
 
0
 
4
Viana do Castelo  
0
 
83
 
78
 
5
 
Vila Real
 
-26
 
50
 
20
 
4
 
Oeste
 
0
 
214
 
164
 
50
 
Douro Sul
 
-26
 
49
 
21
 
2
Entre Douro e Vouga  
8
 
73
 
69
 
12
 
Tâmega
 
-68
 
256
 
145
 
43
 
Lx Ocidental
 
-230
 
479
 
96
 
153
         
 
TOTAL
 
-1160
 
3728
 
1996
 
572
 

Só nos QZP do Grupo 110 [1º Ciclo do Ensino Básico] "desapareceram" 572 vagas! 
 
 
 

- QUADRO DE ZONA PEDAGÓGICA DE EDUCAÇÃO PRÉ-ESCOLAR

(Grupo de Recrutamento 100) 

 
QZP
 
VAGAS
 
SAÍDAS
 
ENTRADAS
 
LUGARES "DESAPARECIDOS"
 
Aveiro
 
0
 
22
 
19
 
3
Bx Alentejo

E Al. Litoral

 
0
 
62
 
62
 
0
 
Braga
 
19
 
77
 
89
 
7
 
Bragança
 
-6
 
6
 
0
 
0
 
C. Branco
 
-2
 
20
 
15
 
3
 
Coimbra
 
-84
 
100
 
0
 
16
Alentejo Central  
0
 
55
 
12
 
43
 
Algarve
 
0
 
49
 
43
 
6
 
Leiria
 
-23
 
76
 
51
 
2
Cidade e Z. Norte de Lx  
6
 
97
 
87
 
16
 
Alto Alentejo
 
-11
 
58
 
33
 
14
 
Porto
 
0
 
63
 
50
 
13
Lezíria e Médio Tejo  
0
 
135
 
124
 
11
Península de Setúbal  
0
 
55
 
54
 
1
Viana do Castelo  
-2
 
47
 
42
 
3
 
Vila Real
 
-14
 
30
 
14
 
2
 
Viseu
 
-10
 
52
 
40
 
2
 
Oeste
 
0
 
115
 
70
 
45
 
Douro Sul
 
-73
 
125
 
48
 
4
Entre Douro e Vouga  
0
 
31
 
26
 
5
 
Tâmega
 
27
 
137
 
150
 
14
 
Lx Ocidental
 
0
 
76
 
60
 
16
         
 
TOTAL
 
-173
 
1488
 
1089
 
226
 

Só nos QZP do Grupo 100 [Educação Pré-Escolar] "desapareceram" 226 vagas!

- QUADRO DE ZONA PEDAGÓGICA DE PORTUGUÊS E ESTUDOS SOCIAIS /HISTÓRIA - 2º CICLO

(Grupo de Recrutamento 200) 
 

 
QZP
 
VAGAS
 
SAÍDAS
 
ENTRADAS
 
LUGARES "DESAPARECIDOS"
 
Aveiro
 
0
 
6
 
2
 
4
 
Braga
 
8
 
16
 
23
 
1
 
C. Branco
 
0
 
0
 
0
 
0
 
Coimbra
 
0
 
2
 
1
 
1
 
Alentejo Central
 
0
 
2
 
1
 
1
 
Algarve
 
0
 
17
 
17
 
0
 
Guarda
 
0
 
0
 
0
 
0
Cidade e Z. Norte de Lx  
22
 
4
 
24
 
2
 
Alto Alentejo
 
-1
 
7
 
6
 
0
 
Porto
 
0
 
6
 
6
 
0
Lezíria e Médio Tejo  
0
 
12
 
12
 
0
Península de Setúbal  
8
 
32
 
29
 
11
Viana do Castelo  
-3
 
8
 
3
 
2
 
Vila Real
 
-21
 
29
 
5
 
3
 
Viseu
 
0
 
1
 
1
 
0
 
Oeste
 
-5
 
24
 
15
 
4
 
Douro Sul
 
0
 
5
 
5
 
0
 
Tâmega
 
0
 
15
 
12
 
3
 
Lx Ocidental
 
0
 
4
 
2
 
2
         
 
TOTAL
 
8
 
190
 
164
 
34
 

Só nos QZP do Grupo 200 [português e estudos sociais /história - 2º ciclo] "desapareceram" 34 vagas! 
 
 
 
 
 

   Também nos Quadros de Escola a situação acontece e um pouco por todo o país. 

   Ainda no Código 200, apenas alguns de muitos exemplos possíveis: 

   Na EB 2.3 Nogueira da Maia, na Maia, saíram 2 docentes e não entrou nenhum para o seu lugar; o mesmo aconteceu na EB 2.3 Sebastião da Gama, em Estremoz. NA EB 2.3 Cidade de Castelo Branco saiu 1 e não entrou ninguém para o lugar deixado vago. 

   Mas o mesmo aconteceu também nos restantes grupos de recrutamento. Por exemplo, no Jardim de Infância de Boavista, em Torres Vedras; em Almada, no JI/EBI da Cova da Piedade, em Oliveira do Hospital no JI de Lagares da Beira ou no JI de Corredoura em Marco de Canaveses. 

   Estes, que são apenas alguns exemplos do que também se passa a nível do Quadro de Escola, servem para ilustrar a situação. Competirá, agora, à Inspecção-Geral de Educação a quem a FENPROF apresentará o problema e, se necessário, aos Tribunais Administrativos, a quem a FENPROF poderá recorrer, julgar da dimensão do problema. Considera, no entanto, a FENPROF que deverá o Ministério da Educação reconhecer de imediato o erro e corrigir as colocações. Se não o fizer, e procurar disfarçar as ilegalidades passando ao seu lado será muito pior, pois há ainda tempo para ultrapassar o problema. Recorda-se que há dois anos o então ministro David Justino desvalorizou o problema das colocações mal feitas, acusou a FENPROF de estar a levantar um problema inexistente e deixou-o arrastar no tempo. O resultado foi caótico e ainda ninguém o esqueceu. Convém que Lurdes Rodrigues não repita a triste cena. 
 
 

       O Secretariado Nacional